"Eu creio que é muito difícil ser negro e é muito
difícil ser intelectual no Brasil. É difícil ser negro porque, fora das
situações de evidência, o cotidiano é sempre muito pesado para o negro. E é
difícil ser intelectual porque não faz parte da cultura nacional ouvir
tranquilamente uma palavra crítica." – Documentário – Encontro com Milton
Santos, 2006.
Com essa declaração de Milton Santos, começamos nossa
reflexão sobre o autor.
Formado em Geografia e Direito, Milton Santos é uma das
mentes mais brilhantes que nosso Brasil já teve. Obviamente, como todos que
tentaram pensar a sociedade em períodos ditatoriais, foi preso e perseguido
durante os anos de repressão no país.
Nesse texto, procuraremos destacar a visão do autor sobre a
globalização. A bibliografia mais indicada para isso é “Por uma outra
Globalização - Do pensamento único à consciência universal”, do próprio Milton
Santos.
Na
obra, o autor apresenta, por sua visão, três estâncias da globalização: “O
mundo como fábula”, “o mundo como ele é”, “ o mundo como pode ser”.
Explicaremos, agora, cada uma delas.
1 – “O mundo como
fábula” – A globalização passa a ideia de um mundo fantasiado, isto é, como uma
fábula. Cria-se uma ilusão da igualdade. Parece que o ser está inserido naquilo
que realmente é a sua cultura, o seu mundo.
2- “O mundo como ele é” – Milton, mostra, agora, o mundo em
sua realidade. Conflitos e desigualdades sociais se destacam. A globalização
cria uma grande separação entre as classes econômicas e sociais.
3- “O mundo como pode ser” – O autor apresenta um mundo que
pode se transformar. Uma outra globalização. Aí entra o ápice de sua obra.
Talvez seja esse, o ideal que o intelectual sempre buscou em sua vida. A
transformação requer conscientização. Segundo ele, para haver uma outra globalização,
é preciso haver uma outra comunicação.
Na
comunicação contemporânea (mídia), fica evidente o reforço dado àquele que é
chamado, “mundo de fábulas”. Atualmente, são seis empresas, em todo o mundo,
que controlam 90% das comunicações. Produzem-se mais ruídos, e não os fatos e
as notícias como realmente acontecem. Hoje, prevalece a visão e os interesses
econômicos por trás das publicações de reportagens em jornais. Passa sempre o
que dá mais lucro ou o que não interfere muito na reflexão da população.
Porém, essa nova globalização pela mídia, encontra seus
adeptos. Milton Santos ficaria feliz em ver os chamados “comunicadores
alternativos”. Eles tentam “globalizar” um outro olhar da sociedade. Os avanços
tecnológicos contribuem para esses grupos. As redes sociais dão voz e vez aos
que não tem. Agora, os movimentos sociais (manifestação e cultura popular)
ganham um cunho político, social e cultural, ao mesmo tempo.

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