sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Globalização e Milton Santos

  Hey pessoal!!! Tô aqui movendo toda uma concentração para falar de Milton Santos, nosso "alvo" de estudos no fim desse semestre.


  Pra começar não sei nem como definir ele já que pesquisando um pouco sobre sua vida vejo que o cara é simplesmente genial. É formado em direito, mas teve destaque como geógrafo, sendo o único brasileiro a receber um prêmio Vautrin Lud,  considerado o Nobel da Geografia. É conhecido como um dos mais ilustres brasileiros do século XX, além é claro de ter um destaque como um dos mais importantes pensadores políticos e sociais. Hum... agora sim consegui aproximar ele da matéria "Teorias da Comunicação" e para falar mais sobre o assunto Globalização estou me rendendo mais uma vez aos conteúdos de entrevista do programa Roda Viva, assim vamos direto ao que interessa.

  Quem quiser assistir a entrevista completa com Milton Santos no programa Roda Viva pode conferir aqui:

  A entrevista em vídeo tem duração aproximada de 1 hora e meia. Se você, assim como eu, não tem uma velocidade de Internet que ajude nesses momentos (mentira, eles falam muito devagar e eu não tenho paciência pra gente lerda). Tem a entrevista completa para leitura no próprio site do Roda Viva, que é exatamente da onde retirei o conteúdo dessa postagem. Segue abaixo alguns trechos que falam sobre a opinião do pensador sobre a Globalização:


Matinas Suzuki Júnior: Professor, o senhor que é um homem, um brasileiro tão conhecido no mundo, com seu trabalho tão reconhecido no mundo, é também hoje um dos brasileiros que tem elaborado um pensamento crítico sobre o processo de globalização. Eu imagino que não deva ser fácil essa tarefa porque a globalização é quase que um consenso na mídia, quase que um consenso nos jornais, nas revistas, na televisão, todo dia a gente houve falar do processo de globalização como sendo um processo que trará grandes vantagens para o Brasil. Quais são as principais críticas que o senhor faz a esse processo?

Milton Santos: O atual processo de globalização é uma forma, uma única forma de utilizarmos recursos que a humanidade pôde gerar neste fim de século, mas utilizá-los de forma que me parece perversa. Então, a crítica essencial é esta, a humanidade durante dois séculos sonhou com a possibilidade de uma ciência a serviço do homem, e quando isso se obtém exatamente, esses objetivos são, digamos assim, deixados de lado, para que essa globalização que nós estamos presenciando sirva um número extremamente limitado, não só de pessoas, mas também um número limitado de empresas, e a um número limitado de instituições. Quem sabe esta é a crítica essencial que eu certamente vou desdobrar com outras perguntas que sejam eventualmente feitas. 


Daniel Hessel Teich: Professor, eu gostaria de saber se no caso do Brasil quais seriam eses caminhos, o que seria alternativa à globalização? O senhor fala muito da questão de um projeto nacional para o país, o que seria este projeto nacional para o país?

Milton Santos: Eu creio que em primeiro lugar, no caso do Brasil e no caso de qualquer país, o que seria a meu ver, o que seria e o que está se dando, e os países europeus, por exemplo, o que está ocorrendo são países que escolhem o que realizar da globalização. É evidente que há uma expressão muito grande por causa dessa enorme força que é atribuída a quem dispõe dos meios de comando, mas o Brasil parece que está deixando a globalização entrar nele, acho que esta é acusação especial, nós estamos deixando a globalização tal como ela é perversa, entrar, em lugar de, ao contrário, o país encontrar ele próprio as formas de sua integração. Que terá que ser sempre negativa, hoje ou amanhã.



Maria Irena Szmrecsanyi: Deixa eu por uma pergunta também sobre aspectos perversos? Queria perguntar se o tema globalização, de fato, não é o que a gente chamaria de uma dispersão de foco? Será que o velho termo imperialismo não poderia substituir o termo globalização? Se não, por que razões?

Milton Santos: Eu não faria... Eu estou consciente de que o termo globalização resulta exatamente da necessidade do sistema, de sua situação atual, de impor uma forma ideológica. Inclusive, há quem diga que foram os japoneses que inventaram essa expressão. Não importa quem inventou, é uma expressão baseada no velho ideal da humanidade da comunhão universal, mas que é feita exatamente para eliminar, reduzir a possibilidade dessa comunhão.

Maria Irena Szmrecsanyi: E acabar com a política!

Milton Santos: Mas o que eu creio, e imagino que essa questão vai aparecer daqui a pouco, é que o grande problema nosso não é tanto com nomes, mas com análise das situações. Quer dizer, eu creio que se nós conseguíssemos elaborar uma análise correta, tanto quanto possível, a partir de cada um dos nossos campos, dessa história de globalização, a palavra não mete medo. A globalização é o estágio pleno do imperialismo, ela não é imperialismo. Se eu analisar a situação atual a partir dos elementos que constituíram o imperialismo, eu vou ter dificuldade para fazer essa análise. Eu conseguiria ter dificuldade para ajudar na produção de soluções.
(fonte: Roda Viva)

  Esse foram trechos que achei interessante postar aqui, mas recomendo vocês lerem a entrevista completa no site que está muito boa.
  Por hoje é só isso gente, acho que já escrevi demais né?
  Bons estudos e até uma próxima!

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