quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mídia alternativa, mídia participativa



Mídia alternativa, segundo Cicilia Peruzzo, é preencher as lacunas que a mídia tradicional não cobre, isso com o auxílio de rádios comunitárias, jornais regionais ou feitos por um grupo com uma ideologia em comum, geralmente minorias sociais.

Já para John Downing, a mídia alternativa tem que ser radical, ou seja, tem que ter um forte apelo idealitário. Porque ele precisa ser o catalisador de uma ideia, tem que propor uma mudança total do que já existe, a mídia tem que ser “hard”.

Além disso, Downing diz que mídia é qualquer forma de expressão. Pode ser uma peça de teatro, uma tatuagem ou um quadro. Qualquer coisa, desde que influencie o receptor, pois ele acredita que a comunicação é formada por emissor e receptor, porém, todos podem participar de ambos os lados.

Abaixo, trecho de uma entrevista concedida por Cicilia Peruzzo a Edgard Rebouças para a Revista do PCLA*.
PCLA - Mais especificamente dentro da área que a senhora vem trabalhando. Há no momento uma grande discussão nacional em torno do uso das rádios sem licença, chamas pelos empresários da comunicação de "rádios piratas". Qual o seu posicionamento em relação ao uso dessas rádios?

Cicilia Peruzzo - É uma discussão que tende a ficar incompleta numa breve resposta como esta. Preferimos chamar as emissoras de rádio que transmitem sem licença de rádios livres e não de rádios piratas. Existem vários tipos de rádio de baixa potência funcionando sem licença, desde as tradicionais rádios livres até emissoras comerciais, religiosas e comunitárias. Temos estudado mais especificamente o fenômeno das rádios livres comunitárias. Elas não "estão atrás do ouro". Estão sim é preenchendo um vazio deixado pelo poder público e emissoras convencionais, fazendo um trabalho educativo e cultural visando o desenvolvimento social. Por outro lado, se muitas delas continuam ilegais é porque o próprio governo tem dificultado a aplicação da lei de radiodifusão de baixa potência já em vigor. A democratização dos meios de comunicação de massa é de fundamental importância. Está até chegando tarde em nosso país, mas felizmente começa a acontecer.


PCLA - A senhora defende uma participação efetiva da sociedade nos meios de comunicação, mas como acredita que isso possa acontecer de uma forma mais ampla, não só no Brasil, como em toda a América Latina, diante de uma sociedade que tem dificuldades até em reconhecer seus direitos à cidadania?

Cicilia Peruzzo - Tudo muda constantemente. Percebe-se as mudanças pelas quais temos vivenciado. Há uma visível alteração nos valores no tocante ao reconhecimento dos direitos de cidadania, apesar de ainda não englobar a todos, nem em toda a plenitude. Conhecemos as dificuldades de uma participação efetiva da população nos meios de comunicação de massa na forma como estão configurados e até por suas caraterísticas enquanto mídias. Mas, com a democratização dos meios de comunicação e da sociedade novos espaços e demandas vão surgindo. A própria sociedade vai se colocando os problemas que é capaz de resolver através de um processo que tende a ser lento devido as dificuldades que têm a ver com nossa história, marcada pela opressão e domínio pelos mais fortes.


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