Mídia alternativa,
segundo Cicilia Peruzzo, é preencher as lacunas que a mídia tradicional não
cobre, isso com o auxílio de rádios comunitárias, jornais regionais ou feitos
por um grupo com uma ideologia em comum, geralmente minorias sociais.
Já para John Downing, a
mídia alternativa tem que ser radical, ou seja, tem que ter um forte apelo
idealitário. Porque ele precisa ser o catalisador de uma ideia, tem que propor
uma mudança total do que já existe, a mídia tem que ser “hard”.
Além disso, Downing diz
que mídia é qualquer forma de expressão. Pode ser uma peça de teatro, uma
tatuagem ou um quadro. Qualquer coisa, desde que influencie o receptor, pois
ele acredita que a comunicação é formada por emissor e receptor, porém, todos
podem participar de ambos os lados.
Abaixo, trecho de uma
entrevista concedida por Cicilia Peruzzo a Edgard Rebouças para a Revista do
PCLA*.
PCLA
- Mais especificamente dentro da área que a senhora vem trabalhando. Há no
momento uma grande discussão nacional em torno do uso das rádios sem licença,
chamas pelos empresários da comunicação de "rádios piratas". Qual o
seu posicionamento em relação ao uso dessas rádios?
Cicilia
Peruzzo - É uma discussão que tende a ficar incompleta numa
breve resposta como esta. Preferimos chamar as emissoras de rádio que
transmitem sem licença de rádios livres e não de rádios piratas. Existem vários
tipos de rádio de baixa potência funcionando sem licença, desde as tradicionais
rádios livres até emissoras comerciais, religiosas e comunitárias. Temos
estudado mais especificamente o fenômeno das rádios livres comunitárias. Elas
não "estão atrás do ouro". Estão sim é preenchendo um vazio deixado
pelo poder público e emissoras convencionais, fazendo um trabalho educativo e
cultural visando o desenvolvimento social. Por outro lado, se muitas delas
continuam ilegais é porque o próprio governo tem dificultado a aplicação da lei
de radiodifusão de baixa potência já em vigor. A democratização dos meios de
comunicação de massa é de fundamental importância. Está até chegando tarde em
nosso país, mas felizmente começa a acontecer.
PCLA
- A senhora defende uma participação efetiva da sociedade nos meios de
comunicação, mas como acredita que isso possa acontecer de uma forma mais
ampla, não só no Brasil, como em toda a América Latina, diante de uma sociedade
que tem dificuldades até em reconhecer seus direitos à cidadania?
Cicilia
Peruzzo - Tudo muda constantemente. Percebe-se as mudanças
pelas quais temos vivenciado. Há uma visível alteração nos valores no tocante
ao reconhecimento dos direitos de cidadania, apesar de ainda não englobar a
todos, nem em toda a plenitude. Conhecemos as dificuldades de uma participação
efetiva da população nos meios de comunicação de massa na forma como estão
configurados e até por suas caraterísticas enquanto mídias. Mas, com a
democratização dos meios de comunicação e da sociedade novos espaços e demandas
vão surgindo. A própria sociedade vai se colocando os problemas que é capaz de
resolver através de um processo que tende a ser lento devido as dificuldades
que têm a ver com nossa história, marcada pela opressão e domínio pelos mais
fortes.
*Link da entrevista na
integra: http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista3/entrevista3-1.htm

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