Na
Escola Latino-Americana não existem métodos pré-definidos, receitas a serem
seguidas. A investigação científica envolve um trabalho criativo, uma vez que o
papel fundamental do cientista é usar a metodologia para um tipo de
estruturação da realidade. Cada caso deve considerar os objetos e suas
representações subjetivas e as relações que ocorrem no interior do sistema.
Além
da “mestiçagem”, ou seja, do uso combinado, dos métodos de pesquisa, outras
características da Escola Latino-Americana são o caráter de aplicação prática
da pesquisa. Tal aplicação deve ser motivada pelo compromisso ético de repensar
as políticas de comunicação para que elas possam efetivamente melhorar a
qualidade de vida dos receptores, sobretudo para uma perspectiva de crítica e
denúncia da comunicação como um dos mecanismos de dominação da sociedade
capitalista moderna.
A
proposta da Escola Latino-Americana é gerar condições para repensar as práticas
da comunicação e o papel que os meios massivos podem e devem desempenhar na
formação da consciência política dos cidadãos.
A
Escola Latino-Americana vem enfrentando vários desafios, entre eles, a
diminuição do ritmo de trabalho – e principalmente das verbas – do Ciespal e a
ausência de uma coordenação mais firme. Os trabalhos desenvolvidos têm
prioritariamente um caráter descritivo e/ou interpretativo das realidades
regionais, ainda que se destaquem por eventualmente apresentarem temáticas
diferenciadas. Apesar disso, seus pesquisadores têm se aprofundado nos estudos
teóricos epistemológicos, dando início à construção de novos modelos de
análise, onde a cultura assume o papel de mediadora entre a produção massiva e
o consumo popular nos chamados estudos de mediação.
fonte: TEMER, Ana Carolina; NERY, Vanda. Para entender as
teorias da comunicação. 2ed. Uberlândia: EDUFU, 2009.
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