Escola Latino-Americana.
O
estágio atualmente vivenciado pela pesquisa em comunicação, particularmente no
Brasil e em geral na América Latina, não pode ser completamente avaliado sem
considerar o legado recebido das universidades norte-americanas, assim como
também reconhecemos a nossa dívida intelectual em relação às universidades
europeias.
Desde
1934, quando se instala o primeiro curso superior de jornalismo na Argentina, a
cooperação norte-americana foi decisiva para o delineamento da sua estrutura.
Afinal de contas, não era sensato ignorar a experiência acumulada, durante mais
de 20 anos, em instituições pioneiras como as escolas de jornalismo de Columbia
e de Missouri.
Mas
essa cooperação foi intensificada somente a partir do fim da segunda guerra
mundial, quando as Américas dão os primeiros passos para a integração econômica
do continente. Uma escola paradigmática como a da Universidade Central da
Venezuela contou já em 1946, com assessoria norte-americana.
Mas
foi sem dúvida após a criação do CIESPAL em 1959, que esse fluxo adquiriu seu
curso natural, minimizando as mediações governamentais e privilegiando o
intercâmbio entre universidades, fundações, institutos de pesquisa. Seus
embaixadores foram os cientistas, como Wayne Danielson, que deram aulas e
orientaram pesquisas no centro internacional instalado pela UNESCO e pela OEA,
em Quito. Eles trouxeram contribuições relevantes para sedimentar as bases
daquele movimento que posteriormente viria a assumir fisionomia própria, ou
seja, a Escola Latino-americana de Comunicação. Mesclando os paradigmas
norte-americanos aos postulados europeus e adaptando-os às condições peculiares
às nossas sociedades e às nossas culturas foi possível superar as dicotomias
entre metodologias quantitativas e qualitativas, entre pesquisa crítica e pesquisa
administrativa.
Construímos
uma via latino-americana para estudar e interpretar os processos
comunicacionais, antecipando-nos talvez à superação dos tabus impostos pela
guerra fria e pelas barreiras criadas entre as humanidades e as ciências sociais.
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