sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Teoria de Mattelart aplicada ao cotidiano virtual




A análise a seguir pretende inserir as teorias de Mattelart no contexto cotidiano. Para tal, faz-se a expropriação de um texto aleatório, publicado na rede social Twitter, visando a aplicação de suas teorias.

“Veja bem, a internet tem camadas: A primeira camada, a crosta, é onde ficam os que passam correntes de e-mail e PowerPoints inúteis com paisagens e textos “fakes” do Veríssimo. A segunda camada é composta daqueles que execram os PowerPoints inúteis, mas acham graça de piada traduzida, meme faces, bazinga (indireta) etc. A terceira camada é a classe média achatada, que conhece o tumblr e usa o twitter, mas não conteúdo para escrever e fica dando RT (compartilhando) no Rafinha Bastos. A quarta camada é a que fica abominando as camadas anteriores, fazendo piadinhas no twitter e gerando o conteúdo que sustenta a internet - conteúdo este que será descoberto uns 2 anos depois pelas camadas anteriores. Por fim, a quinta camada que é onde repousa Cthulhu (espécie de Deus mitológico inatingível) e sua horda de criaturas inomináveis”.

                                                                                                      Fonte twitter: @marcosrv

Marcos indica uma segregação social na rede, tal divisão não obedece necessariamente à classe que o indivíduo pertence economicamente. Na internet, é possível camuflar sua identidade e valores, criando uma nova personalidade que se encaixe em um grupo completamente distinto.
No entanto, a maioria dos internautas interage com seu grupo social de fato. E há, como na sociedade, um conflito entre os grupos sociais formados na rede. Cada um deles considera-se mais inteligente, culto, engraçado ou superior.
Desta maneira, a divisão social virtual, endossa as idéias de Mattelart de que a internet não é uma ferramenta que une as pessoas. Além de, claramente, não ser acessível a todos, os que a utilizam estão ramificados. Esta é a maneira que o homem construiu para viver em sociedade, dividindo-se, formando grupos que, supostamente, podem ser “melhores” ou “piores” que os outros. E para agravar mais esse quadro de características, o autor ainda reflete sobre essa “sociedade global da informação” como agente agravador das desigualdades, já que há um massacre cultural pela tecnologia. Mesmo que a tecnologia passe a ideia de que informação é sinônimo de democracia, isso não condiz com a realidade, pois, para Mattelart, o conteúdo deve ser analisado mediante a sua qualidade.
Sob os aspectos deste ponto de vista, ao recusar que a expansão do uso da internet leva a formação de uma “aldeia global”, o autor acaba valorizando as peculiaridades de cada povo, cultura ou civilização, pois deixa subentendido que cada lugar deve estar conectado a sua cultura e não a um bombardeio de informações discrepantes com sua realidade.
Por fim, Mattelart apoia a propagação de informações de uma maneira mais universal ou, mesmo, democrática com uma influência reduzida do Estado (que, para ele, se vale dos meios de comunicação para construção de ideologias). Talvez essa seja uma forma de reduzir as distâncias criadas pelo uso da internet e só assim fazer com que a troca de informações seja realmente válida pra construção de uma sociedade mais igualitária.




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