segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O caráter profético do discurso de Pierre Lévy


A análise criteriosa de uma entrevista concedida pelo filósofo francês Pierre Lévy ao jornal O Globo revela um caráter engajado virtualmente e, até mesmo, profético em seu discurso.
Em um período em que a internet ainda engatinhava como meio de comunicação entre a sociedade, Lévy já era capaz de fazer associações entre a inteligência coletiva e a cibercultura, enfatizando a importância da troca de informações como agente transformador da sociedade. Por esse motivo, relutava contra o preconceito existente, na época, em relação uso da internet, estabelecendo uma metáfora inusitada que compara a internet ao rock’n’roll, referindo-se ao preconceito também encontrado por esse estilo musical entre meados da década de 50 e 60. Sob esta perspectiva de estranhamento com o novo, o filósofo atribui a culpa ao sentimento de frieza que era transmitido pela rede há 20 anos e, evidentemente, a falta de conhecimento mediante a essa nova tecnologia. Dessa maneira, afirma com propriedade (uma vez que seus estudos e pesquisas ajudaram a desenvolver a Wikipédia e as redes sociais) que esse paradigma foi completamente equivocado, foi desmistificado pela emoção que a internet agora é capaz de transmitir. Isso se deve ao simples fato de as redes sociais permitirem ao indivíduo compartilhar seus sentimentos e/ou pensamentos num determinado momento, vídeos, músicas, imagens e tudo aquilo que é capaz de impactar, tocar, transformar aqueles que têm acesso a essas informações carregadas de sentimentos de quem as escreve (podendo ser de maneira positiva ou não).
Além disso, atribui à rede um papel de extrema importância na transmissão de informações de maneira generalizada, chegando a profetizar a morte de meios midiáticos que não possuem a capacidade de adaptação às novas realidades, já que há uma clara descentralização e distribuição das comunicações. Exemplificando esse quadro de características, faz alusão aos dinossauros para corroborar sua teoria que a não adaptação dos meios midiáticos podem determinar o seu próprio fim. Para o filósofo, as redes sociais como Twitter, Facebook e Google+ serão a nova forma de consumir as notícias graças à sua capacidade de priorizar e personalizar o que é interessante ao indivíduo, e aposta que a próxima geração aprenderá na escola a usar essas ferramentas seletivas.
Vale ressaltar, ainda, um ponto de vista interessante demonstrado por Pierre quanto ao direcionamento do Google em relação às buscas realizadas em seu site, apresentando as páginas como se tivessem um grau maior de importância por meio de uma espécie de listagem dividida em páginas sequenciais. Para ele, esse ranking formado pelo site não fere a democracia, apenas demonstra que sua formação por algoritmos é primitiva. Este fato abre espaço para que lance seu IEML (Information Economy Meta Language) como uma possibilidade de organização individualizada para se criar a própria ferramenta de busca – pois o Google oferece o mesmo conteúdo para todos –, utilizando uma nova forma de representar a relação de conceitos e ideias na internet com um sistema simbólico de escrita com potencial para explorar toda a capacidade de um computador.
Por fim, toda essa relação visionária estabelecida pela cibercultura e a aquisição de novas informações (agente primordial de transformações na sociedade) será capaz de direcionar a atenção dada aos acontecimentos e criar autonomia para o desenvolvimento intelectual.

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