A análise criteriosa de
uma entrevista concedida pelo filósofo francês Pierre Lévy ao jornal O Globo revela um caráter engajado
virtualmente e, até mesmo, profético em seu discurso.
Em um período em que a
internet ainda engatinhava como meio de comunicação entre a sociedade, Lévy já
era capaz de fazer associações entre a inteligência coletiva e a cibercultura,
enfatizando a importância da troca de informações como agente transformador da
sociedade. Por esse motivo, relutava contra o preconceito existente, na época, em
relação uso da internet, estabelecendo uma metáfora inusitada que compara a
internet ao rock’n’roll, referindo-se ao preconceito também encontrado por esse
estilo musical entre meados da década de 50 e 60. Sob esta perspectiva de
estranhamento com o novo, o filósofo atribui a culpa ao sentimento de frieza
que era transmitido pela rede há 20 anos e, evidentemente, a falta de
conhecimento mediante a essa nova tecnologia. Dessa maneira, afirma com
propriedade (uma vez que seus estudos e pesquisas ajudaram a desenvolver a
Wikipédia e as redes sociais) que esse paradigma foi completamente equivocado,
foi desmistificado pela emoção que a internet agora é capaz de transmitir. Isso
se deve ao simples fato de as redes sociais permitirem ao indivíduo
compartilhar seus sentimentos e/ou pensamentos num determinado momento, vídeos,
músicas, imagens e tudo aquilo que é capaz de impactar, tocar, transformar
aqueles que têm acesso a essas informações carregadas de sentimentos de quem as
escreve (podendo ser de maneira positiva ou não).
Além disso, atribui à
rede um papel de extrema importância na transmissão de informações de maneira
generalizada, chegando a profetizar a morte de meios midiáticos que não possuem
a capacidade de adaptação às novas realidades, já que há uma clara
descentralização e distribuição das comunicações. Exemplificando esse quadro de
características, faz alusão aos dinossauros para corroborar sua teoria que a
não adaptação dos meios midiáticos podem determinar o seu próprio fim. Para o
filósofo, as redes sociais como Twitter, Facebook e Google+ serão a nova forma
de consumir as notícias graças à sua capacidade de priorizar e personalizar o
que é interessante ao indivíduo, e aposta que a próxima geração aprenderá na
escola a usar essas ferramentas seletivas.
Vale ressaltar, ainda,
um ponto de vista interessante demonstrado por Pierre quanto ao direcionamento
do Google em relação às buscas realizadas em seu site, apresentando as páginas
como se tivessem um grau maior de importância por meio de uma espécie de
listagem dividida em páginas sequenciais. Para ele, esse ranking formado pelo
site não fere a democracia, apenas demonstra que sua formação por algoritmos é
primitiva. Este fato abre espaço para que lance seu IEML (Information Economy Meta Language) como uma possibilidade de
organização individualizada para se criar a própria ferramenta de busca – pois
o Google oferece o mesmo conteúdo para todos –, utilizando uma nova forma de
representar a relação de conceitos e ideias na internet com um sistema
simbólico de escrita com potencial para explorar toda a capacidade de um
computador.
Por fim, toda essa
relação visionária estabelecida pela cibercultura e a aquisição de novas
informações (agente primordial de transformações na sociedade) será capaz de
direcionar a atenção dada aos acontecimentos e criar autonomia para o
desenvolvimento intelectual.
Fonte:
Nenhum comentário:
Postar um comentário