segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conhecendo mais sobre Pierre Lévy

  Hey pessoal!!! Estamos em uma semana de estudos sobre Pierre Lévy e por ser um filósofo dedicado aos estudos da cibercultura, venho trazer trechos de entrevistas onde ele fala sobre as relações humanas com o crescente avanço da tecnologia e também o que ele acha sobre a educação à distância.

(Fonte: http://www.jornalgrandebahia.com.br)
  Essa foto ao lado é para auxílio visual de como Pierre Lévy está nos dias de hoje. Quem quiser pode acompanhá-lo através de seu Twitter oficial: @plevy




  Abaixo segue um trecho extraído de uma entrevista ao programa Roda Viva que foi ao ar no dia 08/01/2001 no qual ela fala sobre as relações humanas e a tecnologia, a entrevista completa pode ser acompanhada através do site Roda Viva

  Florestan Fernandes Jr.: Pierre, uma das coisas que me preocupa, e que eu acho que preocupa a maioria das pessoas hoje, é a questão das relações humanas. O Markun, quando abriu o Roda Viva aqui, falou que o filho dele fica 14 horas na frente do computador brincando ou conversando através da internet. Hoje, é possível você acessar o seu banco via internet. Hoje, é possível fazer supermercado via internet. É possível fazer, como você disse, viagens virtuais até a China, ou ouvir uma rádio de Moscou através da internet. Como é que fica a relação humana nisso? Qual é o homem que vai surgir a partir do computador? Um homem solitário, que é capaz de se satisfazer sexualmente, por exemplo, através do sexo virtual? [Risos de Levy]

  Pierre Lévy: Sexo virtual, sim. Bem... [mais risos] Podemos deixar a questão do sexo para depois? Eu queria dizer que o que caracteriza a sociedade contemporânea é o aumento geral dos contatos e relações. Contatos e relações de qualquer natureza. Portanto, é claro, mais comunicação à distância, através de meios de comunicação ou telecomunicação. Mas, também, mais contatos físicos, mais contatos diretos. Mais uma vez, seria bom não ter o nariz colado na situação contemporânea, deixar-se levar pelos próprios fantasmas, e recuar um pouco na história. A impressão e a caravela, que permitiram o descobrimento do Brasil, apareceram quase na mesma época. A ferrovia e o telégrafo se desenvolveram juntos. O automóvel e o telefone tiveram um crescimento paralelo. Vocês observarão que, sempre que houve expansão das telecomunicações, houve, ao mesmo tempo, um aumento das redes, maior densidade das redes de transportes físicos. As viagens nunca foram tão fáceis como hoje. Nunca tanta gente pegou carro, avião, trem, navio etc. As pessoas nunca se deslocaram tanto no planeta. Portanto, há, ao mesmo tempo, uma circulação maior dos corpos humanos e existe um maior contato entre eles. O fato de a maior parte das pessoas morar na cidade é, também, um sinal dessa interconexão concreta das pessoas.

  Florestan Fernandes Jr.: Mas, de qualquer maneira, eles viajam com o computador na mão, com o computador pessoal.

  Pierre Lévy: Sim. É isso.

  Florestan Fernandes Jr.: Com o celular.

  Pierre Lévy: Sim. O celular.

  Florestan Fernandes Jr.: E as relações sociais não se estabelecem dessa maneira.

  Pierre Lévy: Não, ouça... [risos] Está bem. Mas, justamente, a moda do celular, que vai se desenvolver mais ainda, mostra que as pessoas se telecomunicam e se deslocam. Fazem as duas coisas juntas. Não creio que as pessoas ficarão imóveis, sozinhas, sem se encontrarem. Se você olhar à sua volta, verá que há adolescentes que se deixam tentar só pelas comunicações virtuais. Quando eu era jovem, meu pai vivia dizendo: “Pare de ler o tempo todo. Chega. Vá lá fora brincar com seus amigos.” Ele podia pensar que minha relação se limitava a folha de papel e tinta. Mas a minha relação não era essa. Eu me relacionava com Émile Zola, Victor Hugo, Cosette, Jean Valjean, com todo um mundo imaginário, não é? E acho que, hoje, as pessoas que navegam pela internet não estão diante do computador. Elas brincam com outras pessoas. Navegam pelo pensamento e pelo mundo das idéias. Não podemos olhar só o lado material, mas temos de entender o que acontece dentro das pessoas. Os espaços interiores, onde as pessoas navegam, são cada vez mais amplos. Acho isso positivo. Por outro lado, como eu disse, não acho que os contatos concretos, físicos entre as pessoas estejam diminuindo. Pelo contrário. Veja, por exemplo, a moda dos colóquios. Nunca houve tantos colóquios como hoje. Tantos simpósios, mesas redondas, tantas jornadas de discussão, de encontros. Isso não existia há um ou dois séculos. As pessoas têm muita vontade de se encontrar e o fazem, mas de todas as formas possíveis, virtuais e reais.
(Fonte: http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/47/entrevistados/pierre_levy_2001.htm)

  Agora falando sobre o assunto educação, no vídeo a seguir veremos a opinião do filósofo sobre a Educação à Distância.



  Por hoje eu fico por aqui, bons estudos e até uma próxima!

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