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| (Fonte: http://www.jornalgrandebahia.com.br) |
Essa foto ao lado é para auxílio visual de como Pierre Lévy está nos dias de hoje. Quem quiser pode acompanhá-lo através de seu Twitter oficial: @plevy
Abaixo segue um trecho extraído de uma entrevista ao programa Roda Viva que foi ao ar no dia 08/01/2001 no qual ela fala sobre as relações humanas e a tecnologia, a entrevista completa pode ser acompanhada através do site Roda Viva
Florestan Fernandes Jr.:
Pierre, uma das coisas que me preocupa, e que eu acho que preocupa a
maioria das pessoas hoje, é a questão das relações humanas. O Markun,
quando abriu o Roda Viva aqui, falou que o
filho dele fica 14 horas na frente do computador brincando ou
conversando através da internet. Hoje, é possível você acessar o seu
banco via internet. Hoje, é possível fazer supermercado via internet. É
possível fazer, como você disse, viagens virtuais até a China, ou ouvir
uma rádio de Moscou através da internet. Como é que fica a relação
humana nisso? Qual é o homem que vai surgir a partir do computador? Um
homem solitário, que é capaz de se satisfazer sexualmente, por exemplo,
através do sexo virtual? [Risos de Levy]
Pierre Lévy:
Sexo virtual, sim. Bem... [mais risos] Podemos deixar a questão do sexo
para depois? Eu queria dizer que o que caracteriza a sociedade
contemporânea é o aumento geral dos contatos e relações. Contatos e
relações de qualquer natureza. Portanto, é claro, mais comunicação à
distância, através de meios de comunicação ou telecomunicação. Mas,
também, mais contatos físicos, mais contatos diretos. Mais uma vez,
seria bom não ter o nariz colado na situação contemporânea, deixar-se
levar pelos próprios fantasmas, e recuar um pouco na história. A
impressão e a caravela, que permitiram o descobrimento do Brasil,
apareceram quase na mesma época. A ferrovia e o telégrafo se
desenvolveram juntos. O automóvel e o telefone tiveram um crescimento
paralelo. Vocês observarão que, sempre que houve expansão das
telecomunicações, houve, ao mesmo tempo, um aumento das redes, maior
densidade das redes de transportes físicos. As viagens nunca foram tão
fáceis como hoje. Nunca tanta gente pegou carro, avião, trem, navio etc.
As pessoas nunca se deslocaram tanto no planeta. Portanto, há, ao mesmo
tempo, uma circulação maior dos corpos humanos e existe um maior
contato entre eles. O fato de a maior parte das pessoas morar na cidade
é, também, um sinal dessa interconexão concreta das pessoas.
Florestan Fernandes Jr.: Mas, de qualquer maneira, eles viajam com o computador na mão, com o computador pessoal.
Pierre Lévy: Sim. É isso.
Florestan Fernandes Jr.: Com o celular.
Pierre Lévy: Sim. O celular.
Florestan Fernandes Jr.: E as relações sociais não se estabelecem dessa maneira.
Pierre Lévy:
Não, ouça... [risos] Está bem. Mas, justamente, a moda do celular, que
vai se desenvolver mais ainda, mostra que as pessoas se telecomunicam e
se deslocam. Fazem as duas coisas juntas. Não creio que as pessoas
ficarão imóveis, sozinhas, sem se encontrarem. Se você olhar à sua
volta, verá que há adolescentes que se deixam tentar só pelas
comunicações virtuais. Quando eu era jovem, meu pai vivia dizendo: “Pare
de ler o tempo todo. Chega. Vá lá fora brincar com seus amigos.” Ele
podia pensar que minha relação se limitava a folha de papel e tinta. Mas
a minha relação não era essa. Eu me relacionava com Émile Zola, Victor
Hugo, Cosette, Jean Valjean, com todo um mundo imaginário, não é? E acho
que, hoje, as pessoas que navegam pela internet não estão diante do
computador. Elas brincam com outras pessoas. Navegam pelo pensamento e
pelo mundo das idéias. Não podemos olhar só o lado material, mas temos
de entender o que acontece dentro das pessoas. Os espaços interiores,
onde as pessoas navegam, são cada vez mais amplos. Acho isso positivo.
Por outro lado, como eu disse, não acho que os contatos concretos,
físicos entre as pessoas estejam diminuindo. Pelo contrário. Veja, por
exemplo, a moda dos colóquios. Nunca houve tantos colóquios como hoje.
Tantos simpósios, mesas redondas, tantas jornadas de discussão, de
encontros. Isso não existia há um ou dois séculos. As pessoas têm muita
vontade de se encontrar e o fazem, mas de todas as formas possíveis,
virtuais e reais.
(Fonte: http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/47/entrevistados/pierre_levy_2001.htm)
Agora falando sobre o assunto educação, no vídeo a seguir veremos a opinião do filósofo sobre a Educação à Distância.
Por hoje eu fico por aqui, bons estudos e até uma próxima!

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